Sudoku · 7 min de leitura

Sudoku e séries de suspense: por que os dois te prendem

A estrutura narrativa que faz uma série de suspense te prender do começo ao fim é a mesma que faz você não largar um puzzle de Sudoku no meio.

Tem séries de TV que você assiste num fôlego só. Mare of Easttown, Sharp Objects, The Killing, Slow Horses, Broadchurch, True Detective primeira temporada. Você senta na noite de sexta e acorda na manhã de domingo tendo dormido três horas. Não é falta de força de vontade. É estrutura narrativa. Suspense bem feito ativa no cérebro o mesmo circuito que faz você não conseguir parar uma partida de Sudoku.

A estrutura comum é simples. Existe uma pergunta. Geralmente, no caso da série, quem fez o quê com quem (assassinato, desaparecimento, mistério). No caso do Sudoku, quais números vão em quais células. A pergunta tem resposta única e correta. Você não vai descobrir a resposta por inspiração ou por chute. Você vai descobrir por dedução, juntando pistas que aparecem aos poucos. E só descobre se prestar atenção.

O detetive (na série) é o avatar do espectador. Sherlock, Marcella, Saga Norén, Salvador Sands. O detetive olha pra cena do crime, fica em silêncio, encaixa as pistas. O espectador faz isso junto, no escuro. A graça não é o detetive ser mais inteligente que você. A graça é você jogar junto. Quando o detetive descobre antes, você fica frustrado. Quando você descobre antes, fica orgulhoso. A série bem feita calibra esse equilíbrio.

Sudoku faz exatamente o mesmo. O tabuleiro é a cena do crime. As células preenchidas são as pistas. Cada número novo que você coloca é uma dedução em voz alta. Cada número que você apaga porque conflitou com outra célula é uma teoria que caiu. Quando a partida termina, você teve a sensação de ter resolvido algo. Igual ao último episódio de Mare of Easttown.

Tabuleiro do Sudoku BLA no tema Tinta com modo notas e célula em destaque, padrão de investigação.
O tema Tinta combina com série noir. Tabuleiro como cena de crime, candidato como pista, dedução em silêncio.

A diferença entre a série e o Sudoku é a duração da pergunta. Série de suspense leva oito a vinte horas pra fechar a pergunta. Sudoku fácil leva cinco minutos. Sudoku médio, quinze. Sudoku difícil, meia hora. Sudoku expert, uma hora pra cima. Mas a curva de prazer é a mesma. Pergunta abre, pistas vão entrando, frustração cresce, padrão emerge, resposta aparece, satisfação fecha. Você termina sentindo que teve um pequeno fim.

Por isso Sudoku funciona como série curta. Em quinze minutos, você tem o arco completo. Abertura, desenvolvimento, virada, conclusão. O encerramento dá o mesmo tipo de fechamento que o último capítulo de um romance policial bem amarrado. Não vícia no sentido de te roubar dez horas seguidas. Vícia no sentido de você terminar uma partida e pensar: deixa eu jogar mais uma.

Tem outro paralelo que vale notar. As melhores séries de suspense não usam jump scare, trilha alarmante, edição frenética. Mare of Easttown tem ritmo lento, paleta cinza, atuação contida. A tensão vem da pergunta, não do efeito. Sudoku, do mesmo jeito, não usa som chamativo, animação espalhafatosa, gamificação agressiva. A tensão vem do puzzle. O design do Sudoku BLA segue essa filosofia: tabuleiro limpo, tipografia editorial, silêncio. Suspense limpo.

Se você gosta de série de suspense, você já tem o cérebro treinado pra gostar de Sudoku. Falta só baixar um app que respeita o gênero. Sudoku BLA está na App Store, funciona offline, tem oito mil puzzles em quatro níveis. Quando você terminar a próxima temporada de Slow Horses e ficar esperando a próxima, abre o app e joga um expert. O cérebro vai sentir em casa.

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